Mim, Tarzan

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Sou a rima de minhas linhas. O que não sou, elas são. O que não falo, elas falam, e no final, as completo sendo o autor. Sempre costumei falar que todos que gostam de escrever são pessoas oprimidas, são pessoas que sofrem opressão de suas idéias e pensamentos, escrever é uma fuga para tal pesar. Este é então, o local onde não mais serei oprimido. :)

terça-feira, 11 de maio de 2010

"Vivendo e não aprendendo… estes somos nós.”

O Homem da Tv sequestrador de estranhos - Parte II

  Parecia estar apenas a metros de distância do Sol ou talvez já fosse verão. Apenas um palpite pela aparência de sebo que Otávio estava. O suor parecia vazar de todo seu corpo, um defeito de fabricação ou muito pavor por não saber onde estava. Em um segundo estava em frente seu computador, trabalhando em mais algum hobby bobo que ele adquiriu nas promessas para 2010. Animações em Flash... Ridículo não? Mas era bem melhor do que aqueles quebra-cabeças de 5000 peças e muito superior ainda a colecionar peixinhos dourados, antigos passatempos dessa apavorada alma.

Otávio já estava no terceiro nível das aulas em Flash que fazia, o que tornava suas noites inteiras dedicadas a isso. Enquanto passava uma sessão altamente desprezível, um filmeco que de tanto repetir, se tornou clássico. Foi em meio a alguma edição e outra em que Otávio não consegue lembrar de nada. Pois agora ele estava ali, apavorado, sentado e usando os braços para abraçar suas pernas. Se isso era uma tentativa de fazer elas pararem de tremer, fracasso total. Otávio estava apavorado com o desconhecido, apesar de ser costumeiro com pessoas de perfil semelhante se apavorarem bastante em situações como essa, de fato, ele apenas não sabia o que estava acontecendo. Se aquilo era um seqüestro, ninguém havia lhe feito alguma ameaça a ele e se aquilo fosse um caso de bizarrice de sua parte, e sem motivo algum ele foi para um quarto de um hotel qualquer, não havia nada mais bizarro do que o suor que escorria por sua testa de maneira perturbadora. Otávio apenas não conseguia explicar e nem mesmo esboçar uma razão para ele estar em quarto claramente vazio e visivelmente com pouquíssima luz, apenas algum esboço de luz vindo debaixo da porta e de furos na cortina inutilmente de cor branca desbotada transparente permitia que alguns pontos de luz passassem das frestas daquela antiga janela de madeira. Mesmo sem qualquer tipo de ameaça física e sem saber por intermédio de que foi parar ali, nada impedia as suas duas pernas gordas de tomarem vida própria, tremiam, tremiam e tremiam, e de nada as mãos molhadas de suor de Otávio podiam fazer.
  Passa tempo, o tempo passa. Para Otávio, minutos tinham se transformado em horas - as horas em dias. Não é possível afirmar se dias valeriam o equivalente a uma semana para Otávio, pois apesar de não saber, o pobre havia acordado apenas há duas horas, e há exatamente duas horas e dois minutos o pobre coitado havia sido posto ali.
  O medo passara a ser uma hipnose – hipertensão perturbadora – seus olhos estão esbugalhados; apesar da tentativa, suas mãos não conseguem impedir o tremor obsessivo de suas pernas, que tremem em sinal de ansiedade e pavor. Se fosse para dizer que o suor que vaza de seu corpo é o medo sendo extraído de seu interior, afirmaria que Otávio é a pessoa mais medrosa do mundo; um ou talvez dois litros de água salgada e nojenta saíam por todo seu corpo por minuto corrido.
  Pelo visto, Otávio acabara de adquirir mais um hobby. Pavor antecipado.

Um comentário:

Anônimo disse...

Parceiro.
me identifiquei com Otavio xD