Mim, Tarzan

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Sou a rima de minhas linhas. O que não sou, elas são. O que não falo, elas falam, e no final, as completo sendo o autor. Sempre costumei falar que todos que gostam de escrever são pessoas oprimidas, são pessoas que sofrem opressão de suas idéias e pensamentos, escrever é uma fuga para tal pesar. Este é então, o local onde não mais serei oprimido. :)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

"Nós fomos lá pensando em ajudar. Mas vimos que nós é quem precisávamos de ajuda."



É tão engraçado pensar nos pequeninos com compaixão
pensar que somos heróis e que devemos levar a eles um pouco de amor, carinho - e quem sabe - um pouco de luz
mas é fácil se sentir o sabichão
um mestre da razão
quando na verdade,
os pequenos é que são os herdeiros da luz
que nos mostram e ensinam
que há muito mais esperança onde as trevas pousa suas asas
eles nos ensinam e nos mostram
que de nada vale ser um pote vazio
se achamos que cabe mais ou que valemos mais
de nada vale ser um pote vazio
quando na verdade, pequenos copos cheios até a boca
se jogam em nós, e nos mostram
que quem precisa ser cheio, somos nós.

Cheios de vida, uma vida beirando as três ou quatro décadas
somos um pote grande, um pote contador de histórias
e da língua, arriscamos fazer algum sucesso
um pote vazio, sem nada a derramar que possa matar a sede de alguém menor?
de nada vale ser um pote vazio.
A luxuria que nos leva as alturas, faz com que a gente se sinta tão grande
o pecado que nenhum pequenino pensa ou deseja ter
Tolice quem acha que é grande, não mata a sede de um pequenino
não sacia a sua própria sede
não amas, se engana
não vive.

terça-feira, 13 de abril de 2010

“O que é necessário para nos frear?”

-O Homem da TV seqüestrador de estranhosParte I

  Já passara da meia noite por duas vezes, ele sabia. Apesar de não conseguir enxergar nada com a venda que havia sido posta em seus olhos, Carlos permanecia com os ouvidos atentos a todo som que ele conseguia captar. Ele sabia, por exemplo, que o relógio badalara duas vezes e que, certamente, o seqüestrador possuía uma voz familiar. Essa voz não pertencia a nenhum parente, amigo, vizinho ou colega de trabalho, era uma voz que Carlos podia reconhecer pelas noites em que ficava até tarde assistindo televisão. Alguma sessão de gala com toda certeza. O modo como a voz do seqüestrador tem entrado em sua mente atordoada, o faz lembrar das noites em que lutava contra o sono e permanecia grudado vendo a TV, quando a voz da televisão entrava distorcida e vibrando da mesma maneira engraçada. Uma maneira estranha de reconhecer a voz de um estranho igualmente familiar, uma maneira estranha de reconhecer a voz de um seqüestrador enquanto ele pedia uma pizza grande de anchovas.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

"Olá Furacão! Você não pode calar o meu amor"

Neste dia oito de abril que vem chegando ao fim, é o aniversário de minha Donzela. Dos meus parabéns com todo os pensamentos positivos que pipocam de mim, e também, com esse conto que escrevi para ela. Foi uma grande surpresa e em muito boa hora como conheci a lindíssima Victória Ferrari, foi após um furacão que ela chegou.






O outono que vinha atrás da tempestade
  Um homem, e apenas isso, dirigindo seu Jeep coberto de lama, toma a estrada que segue sempre a oeste. Viaja calmamente, aconchegado em uma almofada turva de tanta idade, posta no banco, para a mola que saía do mesmo não lhe furar o traseiro.
  Enquanto 
Fiction Family tocava em um volume considerável no tocador de seu carro, um novo som vindo de longe cobria o verso final de "War in my Blood", um som que lembrava uma fera presa dentro de uma jaula, e afinal, era uma fera bastante selvagem. Uma mistura de massa de ar quente e úmida com uma frente fria e seca, surgindo o animal Ciclone
! O ciclone já estava tão perto da traseira do Jeep que nem seria necessária uma pausa na música para se ter certeza de que aquilo estava se aproximando, era um problema grande vindo rápido demais. Não deu tempo nem de o homem deixar de lado o espelho retrovisor e virar a cabeça para ver o que acontecia atrás dele, já era tarde. Fora puxado e empurrado, engolido e expelido, arrastado e jogado; para fora e de volta para dentro do ciclone, inúmeras vezes. Já somando incontáveis voltas em sentido anti-horário. Em um último golpe, o ciclone jogara o homem para fora de seu carro, deixando-o jogado próximo a uma árvore pouco distante da estrada em que andava.
  A poeira baixava e a tempestade que passara, já nem mais se via. O homem levantou e percebeu que tudo estava calmo. Nem sinal de seu Jeep e da boa música que tocava em bom volume. Este homem via alguns pássaros apressados, já saido de suas árvores, enquanto folhas secas do imediato outono, caíam sobre sua cabeça. Neste mesmo instante nascia um sorriso, sem entender como ou por que, o homem agora andava a pé, debaixo de um céu alaranjado, este sorria e só ia, sem saber na verdade para onde estava indo. Apenas sabia, que estava tudo bem agora. 

Como uma tempestade, você chegou
Como o outono, quero que permaneça.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

“Em cada ar tomado, há uma segunda chance”





  Eu vi um homem cuja vida sempre fora de misérias e de lutas já perdidas. Mas um dia após o outro na janela e vi este mesmo homem, agora, calçando bons sapatos e carregando uma brilhante pasta de couro legítimo.
  Ele sorria enquanto andava e sorria enquanto falava.
Mas estes meus olhos já olharam paro o espelho também além de olhar para a rua da janela - olhos quais que viram a vida que não fedia e nem cheirava - estava lá e já vivia por dezoito anos. Seu coração por muitas vezes já alcançou o paraíso - por muitas vezes também - já andou no Vale das Sombras, andou, comeu e deitou naquela terra.
  Me pergunto se a vida que o Espelho me mostrara estaria inclusa no poema de Jon Foreman, "todo dia você tem a chance de mudar o mundo".  Aquele homem lá de trás comeu poeira e bebeu água da poça, posso afirmar. Mas vejo que este passou na frente, não porquê somente alcançara o prazer de calçar um bom par de sapatos ou porquê sorria por onde andava com aquela sua maleta de couro. Está na frente, pois se colocou a frente de lutar contra o mundo em que estava vivendo, e também vencer a angústia de seu coraçao. Lutando e se mantendo em pé sabe somente o Senhor por quanto tempo.