Mim, Tarzan

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Sou a rima de minhas linhas. O que não sou, elas são. O que não falo, elas falam, e no final, as completo sendo o autor. Sempre costumei falar que todos que gostam de escrever são pessoas oprimidas, são pessoas que sofrem opressão de suas idéias e pensamentos, escrever é uma fuga para tal pesar. Este é então, o local onde não mais serei oprimido. :)

sábado, 20 de novembro de 2010

"Uma música não pode mudar o mundo, mas pode mudar uma pessoa."

  
Lembro que em um dia da minha rotina diária quando eu estava sem fome no horário mais querido do dia, hora do almoço, decidi ir lanchar alguma coisa no Rei do Mate ao lado donde trabalho. Fiz muito bem não ter ido comer, pois enquanto aguardava minha sempre muito bem-vinda “Bomba”, eu pude presenciar um diálogo que achei bastante esperado pela região onde trabalho. A situação seguia como a seguinte: Um homem pediu no caixa um café e em seguida aguardava ser atendido por um atendente e dizer se iria tomar ali ou não. Vou tentar escrever da maneira mais fiel que minha memória permite lembrar de como foi o diálogo.

Atendente: Vai querer tomar agora ou é para viagem moço?
 
Cliente do café: (falando com muita pressa) Não porque a gente tá em reunião o dia todo nessa semana e pode ser que alguém precise ir falar comigo então não posso ficar saindo pra almoçar.

Atendente: (com uma voz de quem pouco se importava) É pra viagem?

O cliente metido a besta respondeu afirmativamente bastante sem graça enquanto eu saía com meu pedido na mão e dava risada por dentro do que tinha acontecido.

  Se naquele mesmo dia a situação ocorrida fazia bastante sentido para mim, hoje faz muito mais e consigo entender melhor esse tipo de coisa que acontece o tempo todo. Pessoas que talvez sejam vazias por dentro e procurem meios de serem sempre superiores, mas não escondendo uma prepotência enorme dentro de si.
  O ano vai chegando ao fim e parece que a importância de certos hábitos já chegou à zero há muito tempo. Refiro-me ao comportamento desnecessário de pessoas no ambiente de trabalho, pessoas que criam tempestades em copos d’água. Falar extremamente alto no telefone, ficar zanzando de um lado para o outro “resolvendo” coisas. “Chefes” que pulam de baia em baia para conversar com outras pessoas a respeito de um “problema” que precisa ser resolvido como se fosse a maior calamidade do mundo. Abusei das aspas nessas cenas que acontecem mais de uma vez por dia porque nunca estão realmente resolvendo coisas, não se comportam como uma chefia deve se comportar e nunca são, de fato, problemas.
 Alguns amigos e colegas de trabalho com quem discuto isso se mostram indignados com as coisas que conto e até me contam outras situações que os incomodam. Tudo é muito claro e todos concordam em serem contra esses tipos de coisa que temos que conviver, mas quando os pergunto como podemos resolver isso as respostas são sempre as mesmas:

“Mas tem que deixar passar cara, se estressar com essas coisas não levam a nada.”

“Ignora... ignora porque se você mostrar que está incomodado com isso é aí que vão fazer.”

“Você tem que se mostrar superior, não deixe essas coisas te afetarem.”

  São respostas como essas que recebo de volta, respostas que recebo quando questiono o cara puxa-saco do chefe, o filhinho de papai metido a superior e que esnoba os outros, o chato que faz reuniões não oficiais e todo mundo ouve o que ele está “resolvendo”, recebo respostas assim até quando critico as pessoas que sobem na cabeça dos outros para poder crescer. Não sei se é porque acabei de sair do Ensino Médio que penso dessa forma, que temos que ir até o cidadão e “tirar satisfação”, se possível até sair na mão com o dito cujo, mas realmente não entendo como as coisas possam ser resolvidas sendo deixadas de lado. Está certo que não devemos nos estressar com essas coisas, mas isso não quer dizer que devemos aceitar também.
  Pode passar quase despercebido a passagem de um colega de trabalho com quem você tinha uma boa relação a um chefe babaca. Não que uma coisa leve a outra, mas foi passando despercebido, você começou a achar esse seu colega um pouco mais chato e arrogante e mal falava com você, mas você foi deixando passar, não se estressou e deixou passar essas coisas. Hoje ele já não fala mais com você e possui atitudes iguais as que já foram mencionadas: Ninguém suporta, somente as pessoas com quem ele anda, mas ninguém faz nada. O que aconteceria se quando na primeira vez que percebeu essa mudança, você tivesse ido falar com ele? Porque às vezes a pessoa muda dessa maneira ruim e nem é de propósito, uma rotina desgastante pode enlouquecer e mudar qualquer pessoa mesmo. Mas e se você pudesse ter conversado com ele logo que notou que seu comportamento ruim? Isso não é querer cuidar da vida alheia ou querer deixar as coisas a sua maneira, é sobre tentar um pouco de justiça.
  Todos os dias convivo com pessoas que agem como se fossem superiores, mas não me refiro somente a um ambiente de trabalho, essas pessoas estão em todos os lugares, que parecem ser mais vilões de filmes e estão ali para incomodar seu dia, tentando complicá-lo ao invés de tentar ajudar e deixar a vida de todo mundo mais agradável. A vida é uma sequência, todo o homem deveria ajudar o outro, pois nossas histórias se cruzam um dia.
  Penso porque as revoluções acontecem, revoluções são mais agressivas e penso que acontecem para resolver problemas que não são nossos, foram os problemas de “nossos pais”, problemas que foram criados há um tempo e quando os problemas chegam a um ponto crítico que ninguém quer deixar isso rolar, "não se estressar", a revolução acontece, para se manifestar e dizer que já não dá mais para suportar, deixar passar essas coisas. Parece bobagem, mas são atos e coisas como essas que deixamos passar, coisas como essas um dia germinam e se tornam uma coisa maior um problema real e maior, não podemos deixar coisas erradas passarem por debaixo do nosso nariz, os bons devem brilhar mais do que aqueles que querem apagar a luz.
  Deixe que haja a justiça com as próprias mãos, justiça para quem precisa e justiça para quem é vivo.

2 comentários:

Lucas Lucas disse...

Esse foi um texto difícil de saber escrever o que eu queria dizer. É sobre pessoas vazias por dentro que causam um grande escandalo para valer o salário que recebem. Zanzam pela empresa como se estivessem resolvedo problemas, e até CORREM pela porra do corredor. A vida é mais do que trabalho, eu garanto.

Unknown disse...

BRAVO! Magnífico! Trabalho pode sim nos trazer alguma felicidade, mas não traz as essências de nossas vidas... as pessoas se esqueceram dos simples atos. Mas nem todos caminham para este lado, sempre há uma esperança, movida por esse desejo de mudança.