Mim, Tarzan

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Sou a rima de minhas linhas. O que não sou, elas são. O que não falo, elas falam, e no final, as completo sendo o autor. Sempre costumei falar que todos que gostam de escrever são pessoas oprimidas, são pessoas que sofrem opressão de suas idéias e pensamentos, escrever é uma fuga para tal pesar. Este é então, o local onde não mais serei oprimido. :)

segunda-feira, 21 de março de 2011

"EUREKA!"


 Confundo depressão com sono. Afirmo apenas por ter estado tão cansado que ideias tristes e eloquentes tomaram conta de mim, a preguiça e o cansaço não me deixavam pensar, então o máximo que conseguia dizer é que me sentia para baixo, sem vontade de nada e sem acreditar em nada. Tudo isso soa com um toque de humor agora, porque é engraçado pensar que levei um tempo para entender que muitas das vezes em que eu me sentia sem ânimo e descrente era apenas um cansaço físico, meu corpo não conseguia pensar direito, eu não conseguia criar nada e achava que minhas linhas haviam me abandonado para sempre, que nunca mais conseguiria escrever algo que arrepiasse todos os pelos do meu corpo.

Um grande desafio para mim, sempre foi saber até quando eu conseguiria escrever, este é o meu maior prazer, e foi como se eu tivesse escolhido o pior momento para testar se ainda conseguia o famoso arrepio pelo corpo... Eu deixava para tentar escrever alguma coisa quando já era bem tarde da noite, quando já havia tomado todo meu tempo livre com outras coisas e meu cérebro começava a confundir depressão com sono após tentativas falhas de tentar escrever alguma coisa. Saíam no máximo algumas linhas melancólicas onde eu reclamava de não estar mais conseguindo escrever ou então tentava continuar algum outro texto que eu já começara e não conseguia escrever mais do que duas ou três linhas sem me frustrar. Mas eu não passava por nenhum tipo de problema, nunca houve realmente uma depressão, era apenas meu corpo pedindo descanso, me avisando que precisava dormir, avisando que eu não conseguiria nada melhor do que um ponto final, não adiantava tentar escrever nada novo que seria persistir no erro, eu só ficaria mais infeliz com o resultado.

Compor é algo que consegue me agradar mais facilmente, pois não me considero nem se quer um mero músico, então eu conseguiria satisfazer essa minha vontade de criar algo novo pelo menos na música. Mesmo cansado, peguei meu violão com cinco cordas desafinadas e comecei a cantarolar um ritmo e a letra surgia em seguida:

“Confundo depressão com sono,
Comida, com nenhum alimento
Me desapego e frustro do presente
Mas talvez se alguém ainda me falasse: ‘Menino lindo, se oriente!’
A vida que passa não parou
Apenas um medo, eu mesmo, louco
Pensando feito quem foge de alguém
[...]”

No final, alguém acabou mesmo falando para mim: ”Menino lindo, se oriente!“ Meus próprios versos, Deus, a mensagem foi captada! “Mas é realmente só isso? Me orientar?” – pensava eu após o feito – O mais engraçado, depois que dramas desse tipo passam, é como a resposta sempre pareceu tão simples, a sensação de que a tínhamos desde o início, mas por algum motivo, não parecíamos aceita-la tão bem. “Aprende no amor ou na dor”.

Acabei aceitando a resposta que meus versos haviam me dado, parei de choramingar sobre eles e passei a meditar sobre como estava indo minha vida, como a estava levando, o que me fazia feliz e o que me fazia infeliz. Sabemos que é apenas querer saber a resposta para consegui-la. Cheguei à conclusão do que faltava para mim, mais determinação e melhor organização de tempo para o meu trabalho. ”O que realmente é importante para mim?“ – questionei – Em que valeria eu dedicar mais de mim em meu tempo nem sempre livre? E foi assim, como uma bomba, como toda grande Epifania tem que ser, meu mundo é virado de ponta cabeça e bate aquela angustia, pela resposta ser tão simples, eu sabia a solução, eu tinha que dedicar mais de mim para minha própria satisfação, dedicar todo meu ser àquilo que acho importante e não deixar que o tempo simplesmente passasse - Justo quando já estava começando a me familiarizar com a melancolia.

Epifania, súbita sensação de realização, compreensão da essência, pensamento que ilumina ou inspira, quando encontra o que precisava.
 
 Não sei se todos podem concordar comigo, mas a sensação da descoberta – quando referente a tomar decisões – costuma aparentar algo que parecíamos já saber em algum lugar dentro de nós, ainda quero acreditar que em algum lugar de nós costuma existir as respostas para nossos problemas, basta saber procurar para conseguir encontrar o que queremos descobrir. Nem sempre é tão fácil encontrar o que buscamos, algumas situações são mais rápidas do que outras. Passar por uma crise de identidade pode tomar muito tempo, podemos ter a sorte de sofrer apenas por um período de um simples coçar de cabeça, mas a sensação é quase sempre a mesma, as respostas existiam muito antes de sabermos de sua existência.

Aonde falham nossas raízes então? O que dizimou nossos simplórios atos para termos que lutar a cada instante para curvar a direita quando sabemos que é exatamente para a direita que temos que ir? Para que tantos impasses desnecessários? ”Tudo é aprendizado“ – diz alguém que já viveu, ”A vida é feita de aprendizado“ e ”O aprender é para sempre“ – insiste alguém quem já viveu. Não quero tirar e nem acrescentar nada de alguém que já viveu, mas falo dos que vivem agora, o presente é uma linha de tempo bastante extensa quando paramos para pensar que são 7 bilhões de pessoas vivem exatamente ao mesmo tempo. Nós somos esse grande número de pessoas que após tantos anos de aprendizagem com o passado, vive em harmonia ou nos tornamos um grande número de pessoas que conquistam novos meios para complicar tudo?

Por quantas vezes mais terei que passar por momentos em que a vida me mostra que tudo na verdade é bem simples? – Contem-me os mais velhos. Nós perdemos tanto tempo tentando dificultar o que é simples, como respirar, um pé seguido do outro, amar... Que nos sentimos tolos quando percebemos que viver realmente é simples, como se sempre tivéssemos as respostas para o problema. Dificultamos tudo a ponto de nos constrangermos, passamos pela epifania de perceber que sempre tivemos a resposta, ficamos felizes e sabemos que provavelmente vamos passar por uma etapa semelhante mais a frente, mas mesmo assim sabemos que ainda vale a pena viver a vida.

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