Mim, Tarzan

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Sou a rima de minhas linhas. O que não sou, elas são. O que não falo, elas falam, e no final, as completo sendo o autor. Sempre costumei falar que todos que gostam de escrever são pessoas oprimidas, são pessoas que sofrem opressão de suas idéias e pensamentos, escrever é uma fuga para tal pesar. Este é então, o local onde não mais serei oprimido. :)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

"Serei um cão, um macaco ou um urso, / Tudo menos aquele animal vaidoso / Que se vangloria tanto de ser racional."






Há um bom tempo abandonei o mundo de textos grandes, metafóricos, virtuosos e com qualquer outro tipo de escrita que proporcione uma linguagem direta com o leitor. Sem matérias jornalísticas, sem pensamentos que faziam eu e quem “me” lesse pensar mais ainda.
Eu dei um tempo com esses versos diretos e me dediquei - ou apenas deixei de me dedicar à algo – e passei a escrever mais poesias, versos ocultos, contos, músicas e qualquer outro tipo de texto em que eu pudesse falar sem parecer que estou dizendo alguma coisa realmente, um tipo de escrita que eu sempre os começava como rascunho, mensagens secretas e citações invisíveis que teriam significado só para mim se tornaram meus melhores amigos.

  O II Conde de Rochester, poeta que me atrevo a chamá-lo de “poeteiro”, riscou pensamentos profundos em minha massa pensante do cérebro. Sua vida sempre pareceu ser refletir questões existenciais, questionava sobre as pessoas que escrevem parecendo que não estão dizendo nada, afirmando que deveriam deixar de ser burras e estas deviam dizer logo de cara o que querem dizer. A diferença seria que você se tornou um velho de 100 anos e que sempre ocultara as coisas, sendo assim, nunca foi compreendido ao invés de ter sido um jovem com sífilis, morto aos 20 anos, mas um morto cuja voz e choro foram ouvidos por todo mundo enquanto vivo.
  Sendo assim, sua vida e arte não consistem em passar sabedoria aos tolos do mundo, mas sim em uma masturbação mental, cuja verdade foi ao túmulo em seu peito, enquanto ratos rateiam desvendar algum mistério.  Foi desta forma que passei a menosprezar minha escrita direta, e passei a escrever mentira, onde as pessoas encontrariam ovo de leão e o adorariam feito ouro.
  Eu passei a me tornar um cético quanto ao que eu julgava acreditar, passando cada dia rabiscando linhas secretas, ofensas subliminares e estupros sociais invisíveis à qualquer olho, mesmo para o meu, pois já não entendia mais o que havia dito ali algumas semanas.
  Dou graças pelas trevas serem ausência de luz, caminhei um pouco nessa estrada escura até bater a cabeça em um interruptor, eis que o Laconismo é exercido entre mim e meu mestre quando o mesmo se estende em dizer: “você escreve o que sente, sobre o que acredita, o resto é conseqüência”.

Gozado essa Epifania ter vindo enquanto eu questionava outros pontos, solucionando dois problemas com uma Epifania só.

Foi enquanto eu reclamava com as paredes minha não compreensão sobre os políticos e suas propostas. Eu nunca liguei para política, zombar de políticos sempre foi uma das  diversões mais comuns na Internet. Mas passou a ter um novo ponto em meu primeiro ano como “cidadão”, ano em que eu poderia votar, passei a acompanhar os debates e os políticos em suas propostas como quem parecia estar vendendo seus votos.
  Eu me intrigava até o meu estomago correr todo meu corpo, perguntando porque os políticos só queriam ganhar, eles queriam votos, eles não pareciam querer ajudar, eles queriam ganhar a eleição, fazer seu partido ser o campeão e mandar um #chupa para os @ demais políticos. Eu pensava que eles deveriam defender algo como: “se nós queremos ajudar o país, então vamos precisar de toda ajuda possível, não vamos disputar com outros políticos, vamos começar a apoiar e pedir ajuda de todos, pois todos lutamos pela mesma causa, o bem de nosso país”.
  Essa luta entre os políticos defendendo seus partidos e princípios pessoais soavam como meus pensamentos sobre minha luta entre escrever e não dizer.
Eis que valeu novamente para mim as já citadas palavras de meu mestre, não posso culpá-los pela luta deles - pois eu escrevia por ser o que meu coração assoprava ou cuspia para fora, então é válido, o resto é conseqüência – da mesma forma que políticos agem por essa luta sem causa pela presidência, estão cegos por outros motivos, também é válido e também há uma conseqüência.
 
A minha grande Epifania perante esse novo episódio foi que tudo é válido, tudo é vida e todos somos livres para dizer e defender o que acreditamos. Por enquanto, o princípio é só acreditar, a conseqüência é lutar ou não por isso.

Um comentário:

Leo disse...

a idéia era ir ver a foto mas acabei ficando pra ver o resto. Muito interessante, citando o conde de Rochester e com uma foto do Tim Burton, bastante Johnny Depp.
Curti bastante